Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a interrupção da gravidez de bebês diagnosticados anencéfalos não é crime no Brasil. O caso, é claro, gerou polêmica na sociedade por levantar o tema "aborto". Porém, a população precisa, antes de julgar e criticar a decisão do STF (e misturar um fato médico e biológico com religião), ter conhecimento sobre o que é um ser anencéfalo.
A anencefalia
O que é? Anencefalia é uma má formação do cérebro durante a formação embrionária, que
acontece entre o 16° e o 26° dia de gestação, caracterizada pela ausência total
do encéfalo [cérebro] e da caixa craniana do feto. (Fonte: site Minha Vida)
Diagnóstico: Em 100% dos casos, o diagnóstico é dado por meio de ultrassonografia, não
havendo margem de erro. (Fonte: site Minha Vida)
Tratamento: Não há tratamento possível para a anencefalia. A Organização Mundial de Saúde
(OMS) não recomenda tentar a ressuscitação da criança em casos de parada
cardiorrespiratória. (Fonte: site Minha Vida)
Prevenção: A prevenção da anencefalia se dá pela suplementação com ácido fólico três meses
antes de a mulher engravidar e nos primeiros três meses de gestação. O
suplemento é ingerido em forma de pílulas e complexos vitamínicos específicos
para gestantes. A quantidade indicada pela Organização Mundial da Saúde e
defendida pelos médicos é de 0,4 miligrama por dia de ácido fólico para a
prevenção de ocorrência dos defeitos do tubo neural. (Fonte: site Minha Vida)
Prognóstico: O prognóstico de um bebê com anencefalia é de algumas horas ou dias, não havendo
condição de sobrevida. (Fonte: site Minha Vida)
Complicações para a mulher: A gestante de um bebê anencéfalo pode sofrer um acúmulo de líquido amniótico
dentro do útero, fazendo com que ele não se contraia corretamente e venha a
causar hemorragias durante o pós-parto. Em função da má formação craniana, esses
fetos assumem posições anômalas durante o parto, podendo dificultar o processo. (Fonte: site Minha Vida)
Dados colhidos por: Thomaz Gollop, livre docente em genética médica no Instituto de Biociências
da Universidade de São Paulo (USP) e Niura Moura, pediatra e neurologista Infantil, Docente e Chefe da Disciplina
de Neuropediatria do Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia da
Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista Júlio de
Mesquita Filho - FM/UNESP - Botucatu.
A decisão do STF
"Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), mulheres que decidem abortar
fetos anencefálicos e médicos que provocam a interrupção da gravidez não cometem
crime. A maioria dos ministros entendeu que um feto com anencefalia é natimorto
e, portanto, a interrupção da gravidez nesses casos não é comparada ao aborto,
considerado crime pelo Código Penal. A discussão iniciada há oito anos no STF
foi encerrada em dois dias de julgamento."
"A maioria dos ministros reconheceu que a saúde física e psíquica da grávida de
feto anencéfalo pode ser prejudicada se levada até o fim a gestação. Conforme
médicos ouvidos na audiência pública realizada pelo STF em 2008, a gravidez de
feto sem cérebro pode provocar uma série de complicações à saúde da mãe, como
pressão arterial alta, risco de perda do útero e, em casos extremos, a morte da
mulher. Por isso, ministros afirmaram que impedir a mulher de interromper a
gravidez nesses casos seria comparável a uma tortura."
Fonte: Agência Estado
Espiritualmente falando...
A filosofia espiritual nos mostra que o espírito, ou alma, permanece ligado ao corpo por meio das glândulas pineal e hipófise (pituitária) localizadas no centro do cérebro. Se não há cérebro, não há como o espírito ligar-se ao corpo.
Também conhecida no meio místico-filosófico é a teoria de que o espírito "encarna" no corpo físico no momento do parto. É o chamado Sopro Divino. Antes, ou seja, dentro do ventre da mãe, há a formação da vida biológica apenas.
Porém, não havendo cérebro para o espírito se fixar naquele corpo, não há "encarnação" possível. Por essa razão o bebê anencefálico, ou seja, sem cérebro, morre biologicamente horas depois do parto. Por que? Porque a vida não se mantém sem o cérebro. Não há vida física humana sem o cérebro; não há vida espiritual humana possível sem o cérebro.
Nesse aspecto, a única alma sofredora é a mãe, que tem de carregar um feto que não sobreviverá, ou seja, não se tornará alguém em hipótese alguma. Uma experiência de aprendizado para essa mulher, certamente. Mas, nem por isso, deve ela ser exposta a riscos e a tamanho sofrimento. É pura crueldade.
Polêmicas à parte, temos que analisar as coisas como elas realmente são, usando a razão e não nso deixar envolver pelos extremos de doutrinas religiosas quaisquer. O pensar, a propósito, é um ato produzido pelo cérebro, portanto, é inadimissível tê-lo e não usá-lo.
Sejamos, pois, inteligentes e racionais quando assim precisarmos ser. O aborto não é ato louvável, mas sempre convoco a todos a usar o raciocínio, o bom senso e a razão. Às vezes é preciso pensar antes de sentir. Paz Profunda a todos!
Sou Valéria Nagy.
La Strega, 20.04.2012 d.C.