quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Concílios, Bíblia, os apócrifos e uma conclusão

Um tema que sempre causa dúvida é o que se refere à composição da Bíblia. Como foram escolhidos os Evangelhos que seriam publicados, por que existem os apócrifos e quais os motivos de suas exclusões do Livro. Quem determinou isso? Como e por quê?

Para começar, é preciso entender o que são os Evangelhos e o que são os apócrifos.

1. EVANGELHOS: livros escritos pelos apóstolos de Jesus e que foram autorizados pela Igreja Católica a serem incluídos na Bíblia Sagrada, no seu Novo Testamento; a palavra significa "coisa que se tem por certa, verdadeira", ou seja, são os livros que a Igreja considera como os que melhor explanam a história e as mensagens de Jesus.

2. APÓCRIFOS: são os livros não reconhecidos pela Igreja Católica como autêncticos e, portanto, que foram excluídos da Bíblia; também assim são considerados documentos encontrados posteriormente à publicação das Escrituras e, assim como os demais, não reconhecidos pela Igreja como autênticos.

A ESCOLHA DOS LIVROS — CONCÍLIOS CATÓLICOS

Um Concílio [Concílio Ecumênico] é a reunião dos Bispos da Igreja Católica Apostólica Romana, com o fim de discutir suas doutrinas (princípios que servem de base a um sistema religioso), estalecer ou manter dogmas (fundamentos da doutrina), e tratar de assuntos disciplinares, como as questões de heresia, por exemplo.

Até hoje existiram 21 Concílios da Igreja, mas, nesse assunto específico, falaremos de um em especial, a saber, o Primeiro Concílio de Niceia, realizado no ano 325 d.C., é considerado o primeiro grande Concílio da Igreja Romana. O Bispo Atanásio [Santo Atanásio de Alexandria], elaborou o documento que definiria os 27 livros que compõem o Novo Testamento da Bíblia Sagrada.

Os critérios de escolha desses livros tem por base o princípio dos interesses doutrinários, ou seja, os textos que não foram considerados parte fiel à doutrina Católica, foram vetados da Bíblia. Em caráter oficial, o que não está na Bíblia não pode ser considerado uma Escritura Sagrada, portanto, não é autêntico como fonte de informações das mensagens Divinas.

O que a Igreja Católica decidiu acabou por ser adotado como "o pilar" das doutrinas cristãs existentes, ainda que elas divirjam entre si, partem sempre do mesmo "princípio".

Sobre isso, LA STREGA diz:

Que os livros apócrifos devem ser fonte de estudo, ainda que haja dificuldade de acesso a eles, pois, como não há ser humano que supere a Deus, como confiar cegamente em um compêndio estabelecido por um Concílio formado por homens que levaram [e levam] em consideração questões políticas e tendenciosas quanto à moralidade humana?

E como devemos aceitar como certo algo que está incompleto? Os livros, textos, documentos, manuscritos, foram escritos há muitos milhares de anos, e o Primeiro Concílio determina a formação da Bíblia, na Idade Média. Não seria minimamente necessária uma análise das questões sociais, culturais, políticas e morais dessa época? Aliás, época essa que foi marcada por massacres, preconceitos e autoritarismos torturantes...

Como as igrejas crtistãs podem divergir tanto umas das outras e ainda assim partir do mesmo ponto, que é a Bíblia Sagrada, o Novo Testamento, oficialmente estabelecida pela Igreja Católica? Mesmo a Bíblia Protestante, que teve 66 livros excluídos em relação à Católica, mantém fiel os Evangelhos.

Por que o ser humano cultua a preguiça mental, submetendo-se aos dogmas? Realmente se faz necessária uma reforma na mente das pessoas, que as force a pensar, questionar e buscar as respostas.

Não quero, com isso, dizer que A ou B são errados, ou que C e D estão certos, mas sim, levantar a discussão de que existe muito mais informação do que as quais temos acesso "oficial". É raciocínio lógico. E, talvez, informações importantíssimas e, diria até, fundamentais para o verdadeiro entendimento do qual carece a Humanidade, no que tange a espiritualidade e as Leis Divinas que regem a Vida na Terra!

O poder de Deus não pode ficar nas mãos de alguns. Ele tem que estar disponível a todos os habitantes pensantes deste planeta.

E a única maneira de começar a "levantar poeira" é a mente livre, que se abre com o estudo. Estudar é questionar; questionar é compreender; compreender é evoluir.

Que Assim Seja.
Valéria Nagy, La Strega, 25.08.2010 d.C.

Um comentário:

  1. Concordo plenamente com você. É um absurdo que boa parte das pessoas simplesmente aceita sem questionar, os dogmas e os ensinamentos da igreja. E tomam isso como " a palavra de Deus". Excelente iniciativa a sua. Só lamento porque essa mesma maioria de pessoas sejam preguiçosas ao ponto de não se informarem sobre sua própria religião.

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